25/07/2014

Sacos plásticos gratuitos com fim à vista

Sacos plásticos gratuitos com fim à vista

Eliminar 80% dos sacos plásticos mais poluentes distribuídos na União Europeia até 2019 é o objetivo de uma resolução aprovada pelos eurodeputados em abril. O documento visa diminuir substancialmente a utilização excessiva de um material que, se não reciclado, prejudica o ambiente.

A resolução coloca metas concretas para os Estados-membros reduzirem a utilização de plásticos leves, com espessura inferior a 0,05 milímetros, normalmente distribuídos em lojas e supermercados. Este é o tipo de sacos de maior distribuição mas também um dos menos resistentes e com maior probabilidade de se tornar um resíduo após usado uma única vez. Assim, até 2017, o uso deve cair 50%, baixando para 80% em 2019, tendo por base os níveis de consumo registados em 2010. 

No caso das frutas e legumes, o acondicionamento será substituído gradualmente por sacos de plástico biodegradável e compostável ou de papel reciclado. No entanto, os plásticos pequenos e muito finos, usados para embalar os produtos a granel e alimentos húmidos, como carne, peixe e queijo, não estão incluídos nesta resolução. Para alcançar as metas, o documento propõe que os Estados-membros criem instrumentos económicos, restrições de mercado, impostos ou taxas que impeçam as lojas e supermercados de disponibilizar gratuitamente os sacos. 
Aprovada com 539 votos a favor, 51 contra e 72 abstenções, a resolução será negociada com a Comissão e o Conselho Europeu após as eleições europeias de 25 de maio.

Atenção aos sacos “amigos do ambiente”
Algumas das medidas deste documento já tinham sido apresentadas em Portugal, merecendo o nosso apoio. No início de abril, considerámos positiva e benéfica, para os consumidores e o ambiente, a proposta do Partido Socialista para criar um sistema de desconto mínimo ao consumidor. Quem prescindir totalmente dos sacos plásticos gratuitos recebe um desconto de pelo menos cinco cêntimos, com IVA incluído, sobre os produtos vendidos.

Na mesma ocasião, relembrámos que é preciso desmistificar a questão dos sacos anunciados por várias cadeias de supermercados como sendo “100% degradáveis e amigos do ambiente”. Ao contrário do que se pensa, estes sacos não se decompõem totalmente. Têm antes um aditivo que acelera o seu processo de degradação, ou seja, desfazem-se em pequenos pedaços. Na realidade são sacos oxodegradáveis e há sérias reservas sobre as suas vantagens ambientais. A designação degradável pode enganar os consumidores, até porque não são recicláveis.

Sacos plásticos representam um perigo para o ambiente
Estimativas do Parlamento Europeu indicam que, em média, cada cidadão da União Europeia usa 198 sacos, 90% dos quais são plásticos leves. Estes são mais frágeis, logo, pouco reutilizados no dia-a-dia. Servem sobretudo para acondicionar lixo, mas parte acaba por escapar ao circuito de recolha de resíduos, indo parar a lixeiras ilegais ou simplesmente espalhando-se por campos, florestas, rios ou praias. Uma vez nos espaços naturais, podem poluir os lençóis de água e oceanos, já que contêm partículas tóxicas. No caso da fauna marinha, os pequenos fragmentos de plástico podem ser confundidos com comida, levando à morte de alguns animais.

Publicação a 16 de Maio 2014 pela Deco Proteste
Veja aqui a publicação
www.deco.proteste.pt